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Já sabemos que brasileiro tem predileção para investimentos em imóveis. É a forma de investimento preferida por aqui. Mas será que esta classe de ativo tem bom rendimento ao longo dos anos? E se compararmos com outras formas de investimento como ações? Será que é melhor? Um estudo de economistas renomados nos trouxe estas respostas. Confira!

A rentabilidade de investimento em ativos ocupa um lugar especial na história do pensamento econômico. De John Stuart Mill a Karl Marx, os pensadores mais influentes dedicaram grande parte de seu tempo ao estudo de lucros. Hoje, a taxa de retorno sobre o capital desempenha um papel fundamental na formação dos atuais debates macroeconômicos. Os retornos de ativos encapsulam características fundamentais sobre a dinâmica de uma economia, como atitudes em relação a riscos e preferências em relação ao retorno esperado.

Melhor Investimento do Mundo nos Últimos 150 Anos

Ações trarão altos para os investidores, mas de tempos em tempos trarão também algum tipo de susto. Títulos do tesouro o manterão seguro, mas não o farão rico. Imóveis? Esse é o melhor dos dois mundos. Nos países ricos, no longo prazo, os investimentos imobiliários geram retornos semelhantes às ações, além de proporcionar a baixa volatilidade dos títulos.

Este é o argumento do estudo “The Rate of Return on Everything, 1870–2015” dos economistas da Universidade da Califórnia-Davis, da Universidade de Bonn, e do Deutsche Bundesbank. Através de uma coleta de dados histórica, os pesquisadores reuniram os retornos anuais de títulos do tesouro, ações e moradias residenciais de 1870 a 2015 para 16 países ricos, como EUA, Alemanha e Japão.

Eles concluíram que, no país rico médio, o retorno anual da habitação durante esse período foi de 7,05% quando ajustado pela inflação, enquanto o retorno sobre as ações foi de 6,89%. Ao mesmo tempo, o risco associado à moradia foi bem menor: a habitação tem cerca da metade do risco das ações e é um pouco menos arriscada do que os títulos.

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Os retornos totais dos imóveis residenciais estão em pé de igualdade com os retornos das ações – em média, cerca de 7% ao ano -, mas são muito menos voláteis. Fonte: Quartz

A razão pela qual essas descobertas chamaram atenção ​​é que elas se defrontam com as teorias econômicas de avaliação de ativos, que sugerem que ativos arriscados, como ações, devam ter retornos mais altos. Mas não é assim, escrevem os autores. Os economistas não oferecem uma explicação para a descoberta, mas esperam que outros pesquisadores usem seus dados para tentar resolver o enigma.

Embora a habitação tenha tido um desempenho melhor do que as ações em geral, houve grandes diferenças entre os 16 países incluídos no estudo. Em 3,3%, o retorno extra que você obteria sobre a habitação em comparação com o investimento em ações foi maior na França, onde os investimentos em ações foram particularmente baixos devido à devastação da Segunda Guerra Mundial, uma onda de nacionalizações de empresas privadas após a guerra e uma crise do petróleo na década de 1960.

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Enquanto os retornos sobre ações tornaram-se cada vez mais correlacionados entre os países ao longo do tempo, os retornos habitacionais permaneceram globalmente sem correlação. Fonte: Quartz

A história recente tem sido mais gentil com as ações. Desde 1980, o retorno anual das ações nesses 16 países foi de 10,7%, comparado a 6,4% para a habitação. Os pesquisadores atribuem essa queda ao colapso dos preços da habitação no Japão após 1990 e ao lento crescimento do setor imobiliário residencial da Alemanha. Ao mesmo tempo, ações de países escandinavos como Suécia, Noruega e Finlândia explodiram.

No entanto, mesmo desde 1980, quando ajustada pelo risco, a habitação se saiu melhor do que as ações. Pelo índice de Sharpe, desde 1980, a habitação foi um investimento melhor em 14 dos 16 países examinados neste estudo.

Uma limitação desta análise é que ela não contabiliza impostos. Os pesquisadores deixaram de fora os impostos sobre a propriedade porque são frequentemente bizantinos, com taxas variando entre e mesmo dentro dos países. Muitas vezes, também existem isenções tributárias complicadas para certos tipos de moradia. Os pesquisadores oferecem uma estimativa aproximada do impacto tributário: incluindo os impostos, eles escrevem, diminuiria os retornos da habitação em um ponto percentual em relação às ações – tornando a habitação ainda o melhor ativo ajustado ao risco.

As conclusões do estudo são mais úteis para investidores que podem investir em várias propriedades residenciais do que para indivíduos que provavelmente comprariam apenas uma casa. Uma única casa é um ativo muito mais arriscado do que um portfólio diversificado de imóveis residenciais.

Dito isto, mesmo se você não for um milionário, poderá diversificar seus investimentos em residências por meio de produtos financeiros como um REIT ou um FII. Em outras palavras, você provavelmente não deve comprar uma casa com base nessa pesquisa, mas se estiver procurando por um investimento seguro e valioso a longo prazo, convém estudar este tipo de investimento.

Investimento Seguro e Livre de Risco?

Outra descoberta importante do estudo é que os retornos reais sobre ativos seguros têm sido muito voláteis a longo prazo, surpreendentemente, mais do que retornos arriscados, como mostra o gráfico abaixo. Cada uma das guerras mundiais foi um momento de taxas reais reais muito baixas, bem abaixo de zero; assim como as crises de inflação e crescimento da década de 1970. Os picos na taxa real de segurança ocorreram durante os tempos-padrão do ouro, no período entre guerras e em meados da década de 1980, na luta contra a inflação.

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 Os retornos reais da dívida pública têm sido baixos e voláteis. Fonte: Vox

O Que é Índice de Sharp?

O Índice de Sharpe, criado por William Sharpe (Nobel de Economia em 1990), é um indicador que permite avaliar a relação entre o retorno e o risco de um investimento. Ele mede qual é a relação entre o retorno excedente ao ativo livre de risco e a volatilidade. A sua grande função é traçar um paralelo entre o retorno e volatilidade do investimento analisado. Digamos que o Índice de Sharpe pode nos ajudar a trazer a resposta para o seguinte questionamento:

Qual é o investimento que oferece a maior rentabilidade possível para o menor risco possível?

O Índice Sharpe não nos mostra qual é o ativo que o investidor deve escolher. O índice simplesmente aponta qual ativo apresenta a melhor rentabilidade em relação ao risco assumido. Ele é apenas  uma ferramenta útil a ser considerada na análise. O Índice de Sharpe nos ajuda a entender qual é o investimento mais adequado para determinado perfil de investidor ou estratégia de investimento.

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